terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Encanto

Nuvem negra, disritmia de ventos soprando ausentes venenos.
Na metafísica que nada há de ser, nem meta e nem física ou qualquer lugar de ser...
Acabo de me deitar em seu próprio peito que se aconchega suavemente de ar,
E acabo uivando um silencio sem de nada notar.
Até que ponto chega esta memória que me atura?
Onde está o ponto que emerge um raio em meu peito,
Que me faz concordar que o acordar nada mais é do que sua lembrança,
Entre meus braços e seios?
Tu que, em qualquer leito adormeces e me avisas de qualquer esperança.
Tu que, sorri a força que explode em meu pára-raio-peito,
Sem sentir em versos onde mesmo está,
Desconexo e alheio.
Esta fadiga que ultrapassa qualquer corpo sem exaustão,
Torna-me única num lembrar enluarado de pingos contra o chão.
Já não sei se estes me são de saudades, medo ou
Receio desta sua eterna imagem de que não me arrependo.
E, já não sentindo mais minha respiração,
Esqueci de alimentar-me nos espinhos que me zelavam qualquer proteção,
Cujos me tornaram satisfeita apenas em vão,
Degustando notas musicais em fios de construção.
Deito-me e ensino-me a sorrir sem ti,
Nem com compaixão me desregro do que há em mim.
Tu que me vens em um sonho bom sem tocar-me, mas a ferir-me,
Num profundo silencio que não me pára de gritar, de me sentir e a me calar.
Onde está a dádiva de qualquer canção já ouvida por ouvidos tão ingênuos?
Onde mora a solidão repleta de meu peito?
Pois, se até Camões erra em dizer soar terrivelmente pela a dor da ausência,
Morre ao descobrir-se que a ausência que sentira era de si.
Como há de ser agora, minha ausência sem fim,
Com tu que me és presente, nunca fostes embora de mim.
E esta nuvem negra que não passa,
Só me passa, me ultrapassa.
Estes trilhos seguintes que não me direcionam até a paz de seu olhar,
Com a banalidade que tenta me convencer de melodias que nada me atrasam.
Este meu gesto estúpido de comentar a dor em versos,
Que deságuam em contextos paralelos .
Tu que me ouves sem querer ouvir e eu que lhe escrevo ,
Sem querer partir o todo que me faz criar e pensar.
Nada te fazes partir de mim.
Na verdade... Sou feliz assim.
Mas eu gosto de sofrer e amar tudo o que há em mim,
Buscando em seu olhar este sonho que não percebe seu próprio fim.
Já não sei mais quem amo,
Se és tu ou se és tu em mim.

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