terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sentada com as mãos nos joelhos.

Se deus me deu a ânsia posso, sim, vomitar nas pétalas mais belas.
Foram três quartos de semana de introspecção, sentido o gosto da chuva e o gelo de uma solidão que não existe, que não tem asas para voar, que não tem motivos para se ridicularizar, que não tem fontes para se despetalar.
O som da harmônica que entristece, aconchega e me faz respirar cada nota tocada que não sai da minha boca, da minha garganta, mãos e pulmões; como há muito não sentia o som da minha própria nostalgia.
Petrifico-me em prantos e para cada lágrima seca que toca em meu solo, a nuvem que faz resplandecer o sol, solidifica a raiz de uma planta morta, que nunca houvera vida para existir.
Nos meus sonhos tortos cada fragmento de face me acorda num susto desonesto, de uma memória que jaz em minha mente-cérebro e, não me esquecendo de lembrar os fatos já ultrapassado, me relembro de esquecer o presente já transpassado.
Eu não acordo e sinto que durmo, como uma escuridão de uma floresta não estranha ao meu mundo paralelo e onírico. Me escondo do acordar do sol e mergulho no ventre da imaginação descontrolada e brigo: brigo para salivar o apetite de uma cachoeira que jorra a água e que inunda a minha feição ou qualquer estímulo; brigo para passar a tensão que não existe no tédio da lua que se esconde, nas águas dos céus, que cobrem o sol de qualquer dia que não resplandece, é frio.
Procuro no escuro, submeto-me à própria passagem do tempo. Sinto-me no obscuro transpassar da curiosidade da desesperança de lhe encontrar. Esclareço-me ao vento que me afaga nas águas límpidas de uma natureza que nunca vi, sinto tal natureza e procuro fazê-la existir.
Por um momento, afago o tempo e escrevo. Não me sinto ao vento. Não sinto a noite. Não há circunstancias. Não há nada que me faça crer na crença e na descrença, é só des-perseverança.

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